Adenomiose: sintomas, diagnóstico e quando tratar

A adenomiose é uma condição benigna do útero que pode causar cólicas intensas, sangramento aumentado e anemia — mas nem todo achado no exame precisa de tratamento. Entenda o que separa a forma focal da difusa, como o diagnóstico é feito e quais são os caminhos, da observação à cirurgia com preservação do útero.

O laudo traz uma palavra que muitas pacientes nunca ouviram antes e, ao procurar informações na internet, é comum se depararem com relatos de cirurgias e até retirada do útero. Separar esse impacto inicial do que a adenomiose realmente significa é um passo importante.

A adenomiose é uma condição benigna: não é câncer nem uma lesão pré cancerosa. Sua repercussão, porém, varia bastante de uma mulher para outra. Em alguns casos, pode estar associada a cólicas intensas, sangramento menstrual aumentado e anemia, com impacto significativo na qualidade de vida. Em outros, não provoca sintomas e aparece apenas como um achado em exames de imagem.

Por isso, no consultório, a questão mais relevante geralmente não é apenas “tenho adenomiose?”, mas sim: essa adenomiose explica os meus sintomas e, se explica, qual é a melhor conduta para o meu caso?

Essa avaliação não depende de um único exame. É preciso considerar os sintomas, a extensão e a apresentação da adenomiose, que pode ser focal ou difusa, além da idade da paciente e, especialmente, de seus planos reprodutivos. Esses elementos, analisados em conjunto, ajudam a definir se há necessidade de tratamento e quais opções fazem sentido em cada situação.

Resposta direta

O que é adenomiose e o que fazer?

Adenomiose é uma condição benigna do útero em que tecido semelhante ao endométrio — a camada que reveste a cavidade uterina por dentro — está presente no miométrio, a parede muscular do órgão. Pode causar cólicas intensas, sangramento menstrual aumentado, dor pélvica, anemia e aumento do volume uterino; muitas mulheres, porém, têm sinais de adenomiose nos exames sem qualquer sintoma relevante — e, nesses casos, em geral não há o que tratar. Quando o tratamento é necessário, as opções vão do controle hormonal (o DIU de levonorgestrel é a opção com melhor evidência para os sintomas) à cirurgia — conservadora na doença focal, histerectomia em casos selecionados. A conduta depende dos sintomas, da forma da doença e do desejo reprodutivo, e a avaliação individual com ginecologista é indispensável.

O que é adenomiose

O útero é formado por camadas. O endométrio reveste a cavidade uterina por dentro e se modifica a cada ciclo menstrual. O miométrio é a camada muscular, responsável pelas contrações. Entre os dois existe uma faixa de transição chamada zona juncional. Na adenomiose, células semelhantes às do endométrio aparecem dentro do miométrio e continuam respondendo aos hormônios do ciclo. Essa presença se associa a inflamação e a remodelamento da musculatura uterina, mecanismos que ajudam a explicar a cólica intensa e o sangramento aumentado, ainda que a fisiopatologia completa não esteja inteiramente esclarecida.

A adenomiose é uma condição benigna: não é câncer nem lesão pré-cancerosa, e a transformação maligna associada a ela é descrita apenas de forma excepcional na literatura. Sangramento após a menopausa ou crescimento rápido e atípico do útero pedem investigação própria, não porque a adenomiose “vire” outra coisa, mas porque outros diagnósticos precisam ser afastados. A frequência real é difícil de medir e varia conforme o critério: séries de histerectomia encontram adenomiose em 10% a 35% das peças, e coortes de pacientes sintomáticas encontram sinais em cerca de 1 em cada 5 mulheres avaliadas.

Ela é grave? Não no sentido que a pergunta costuma ter — mas pode ser incapacitante, e essa distinção merece clareza. Cólica que impede trabalhar, sangramento que causa anemia e dor que atrapalha a vida sexual são consequências reais, e chamá-las de “normais da menstruação” atrasa o cuidado por anos. A gravidade da adenomiose não se mede pela extensão da doença no exame, e sim pelo tamanho do impacto que ela produz na vida de quem a tem — por isso, o achado isolado na imagem, sem sintomas, não é indicação de tratamento.

A adenomiose é uma doença mais comum do que as pessoas podem imaginar e para algumas mulheres, o impacto na qualidade de vida é enorme. Ao mesmo tempo, para muitas, a doença não causa nenhum sintoma e exige apenas um acompanhamento sem nenhum outro tipo de tratamento.

Prof. Dr. Alexander Kopelman
CRM-SP 103.944 · RQE 945031 · RQE 945032

Sintomas da adenomiose: os sinais mais comuns

Cólica menstrual intensa e progressiva

A cólica da adenomiose tende a piorar ao longo dos anos — e é diferente do desconforto comum: interfere no trabalho, nos estudos e na rotina. Dor menstrual que incapacita não deve ser normalizada, seja qual for a causa.

Sangramento menstrual aumentado

Menstruação com volume ou duração maiores, às vezes com coágulos. É um dos dois sintomas dominantes da adenomiose e a principal porta de entrada para a complicação mais subestimada do quadro: a anemia.

Anemia, cansaço e queda de rendimento

Quando o sangramento aumentado já produziu queda de ferro, controlá-lo deixa de ser questão de conforto e passa a ser parte central do tratamento. Cansaço desproporcional, falta de ar aos esforços e palidez merecem um hemograma.

Dor pélvica e dor nas relações

A dor pode aparecer também fora do período menstrual, e a dor durante as relações sexuais são queixas infrequentes. Quando esses sintomas se somam, a investigação precisa considerar também a endometriose — as duas doenças costumam andar juntas.

E quando não há sintoma nenhum

Há mulheres com sinais claros de adenomiose na imagem e nenhuma queixa. É a mesma doença com significados clínicos diferentes — e é por isso que a conduta não se define pelo laudo, e sim pelo impacto real sobre a vida e os planos de cada paciente.

Como é feito o diagnóstico da adenomiose

O diagnóstico começa pela avaliação clínica — características da dor, padrão menstrual, intensidade do sangramento, histórico reprodutivo — e se apoia em exames de imagem. Na prática atual, ele é predominantemente não invasivo: a confirmação em peça cirúrgica, que já foi a referência histórica, deu lugar à leitura conjunta de história clínica, exame físico e imagem. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial e, na maioria dos casos, o principal — com uma ressalva que não é formalidade: a qualidade do equipamento e a experiência de quem examina mudam o resultado de forma relevante, e é a combinação de sinais, não um sinal isolado, que sustenta o diagnóstico. A ressonância magnética tem especificidade maior e menor variabilidade entre examinadores — é preferida quando há dúvida, quando é preciso medir a extensão com precisão, no planejamento de intervenções e na suspeita de endometriose associada, que exige mapeamento além do útero.

Para quem quer os números: na literatura, a sensibilidade da ultrassonografia transvaginal situa-se em torno de 70% a 84%, com especificidade de 64% a 81%; a ressonância apresenta especificidade em torno de 83% a 92% — a revisão da American Family Physician (2022) cita, por exemplo, ultrassonografia com sensibilidade de 83,8% e especificidade de 63,9%, e ressonância com 77% e 89%. As faixas variam conforme a população estudada e o critério adotado. O que a imagem não faz é decidir sozinha: laudo, sintomas e objetivos da paciente precisam ser lidos em conjunto — e a mesma imagem pode levar a condutas diferentes em pacientes diferentes.

Adenomiose focal, difusa e adenomioma

A adenomiose não se apresenta da mesma forma em todas as pacientes — e essa distinção muda tanto a leitura do exame quanto as possibilidades de tratamento. Na forma difusa, as alterações estão distribuídas por uma área extensa da parede muscular, sem limite definido: é a mais associada a útero aumentado, a sintomas persistentes e ao impacto reprodutivo mais consistente na literatura. Na forma focal, existe uma região delimitada comprometida — e, quando essa área forma uma lesão com limites relativamente definidos, recebe o nome de adenomioma, que pode ser confundido com mioma na imagem.

Vale o esclarecimento que evita frustração em consulta: adenomioma não é mioma. O mioma é um nódulo de músculo liso com limites nítidos e plano de clivagem — pode ser “descascado” do útero preservando o órgão. O adenomioma é tecido adenomiótico infiltrando a musculatura, sem limite cirúrgico claro, o que torna a remoção completa nem sempre possível. Confundir os dois muda a expectativa sobre o que uma cirurgia consegue entregar: doença localizada abre a possibilidade de abordagens que preservam o útero; doença difusa costuma responder melhor a estratégias de controle de sintomas.

Esquema comparativo: Em rosa, o endométrio; a área verde representa a zona juncional; a área branca corresponde ao miométrio. Na forma focal, a alteração ocupa uma região delimitada da parede. Na difusa, distribui-se por área extensa e a zona juncional perde regularidade. Ilustração esquemática, sem escala anatômica, produzida para esta página.

O que um laudo completo descreve — critérios MUSA (2022)

O consenso internacional MUSA, revisado em 2022, organiza os achados de ultrassonografia em sinais diretos (indicam a presença do tecido endometrial no miométrio) e sinais indiretos (consequências desse tecido sobre a musculatura):

  • cistos miometriais — sinal direto;
  • ilhas hiperecogênicas — sinal direto;
  • linhas e brotos subendometriais ecogênicos — sinal direto;
  • útero globoso — sinal indireto;
  • espessamento miometrial assimétrico — sinal indireto;
  • sombreamento em leque — sinal indireto;
  • vascularização translesional — sinal indireto;
  • zona juncional irregular ou interrompida — sinal indireto.

A distinção tem consequência prática registrada no próprio consenso: na ausência de sinais diretos, os sinais indiretos isolados não são conclusivos. Um laudo que descreve apenas “útero globoso” ou “miométrio heterogêneo” está relatando consequências possíveis — não confirmando a doença. Além dos sinais, um laudo útil descreve a forma (focal ou difusa), a localização e extensão, o volume uterino e a presença de miomas ou endometriose associados. “Achados sugestivos de adenomiose”, sozinho, não permite planejar nada.

Adenomiose e endometriose: qual a diferença

Não são a mesma doença, embora tenham similaridades e frequentemente apareçam na mesma paciente. Na adenomiose, o tecido semelhante ao endométrio está dentro da parede muscular do útero; na endometriose, ele está fora do útero — em ligamentos, ovários, intestino, bexiga e ureteres. A tabela resume as diferenças práticas:

Adenomiose Endometriose
Onde está o tecido Dentro da parede muscular do útero (miométrio) Fora do útero — ligamentos, ovários, intestino, bexiga, ureteres
Sintoma dominante Sangramento aumentado e cólica Dor pélvica, dor na relação e dor para evacuar ou urinar no período
Diagnóstico por imagem Avaliação do útero e da zona juncional Mapeamento por compartimentos, com preparo intestinal
Cirurgia Conservadora só em doença localizada; nem sempre possível Excisão das lesões, com preservação dos órgãos
Impacto na fertilidade Possível, sobretudo na forma difusa e sintomática Possível, conforme localização e extensão
Podem coexistir? Sim — e a coexistência piora os desfechos reprodutivos em relação à endometriose isolada

A coexistência é comum e não é detalhe: quando as duas condições estão presentes, os desfechos reprodutivos são piores do que na endometriose isolada. Por isso, diante de sintomas que sugerem doença mais extensa — dor na relação, dor para evacuar no período, alterações urinárias —, a investigação precisa olhar além do útero. Entenda a endometriose em detalhe e a diferença para os miomas uterinos, a terceira condição frequentemente confundida nesse trio.

Tratamento da adenomiose: os caminhos possíveis

1. Acompanhamento

Para quem tem achado de imagem sem sintomas relevantes, acompanhar é conduta legítima — não é omissão. Vale registrar a linha de base, observar a evolução dos sintomas e reavaliar periodicamente.

2. Tratamento hormonal e controle de sintomas

É a primeira linha para dor e sangramento. O DIU de levonorgestrel é a opção com melhor evidência para controle sintomático e evita a histerectomia na maior parte das pacientes que o utilizam; progestágenos orais também são eficazes, sobretudo para dor. Um ponto que quase nunca é dito: não existe medicamento aprovado especificamente para adenomiose — as opções são extrapoladas do tratamento de miomas e endometriose, o que torna a escolha individual e dependente da resposta de cada paciente.

3. Cirurgia conservadora

Em doença focal e sintomática que não respondeu ao tratamento clínico, é possível discutir a retirada da área comprometida com preservação do útero. A limitação técnica precisa estar clara desde a primeira conversa: sem plano de clivagem definido, a remoção completa nem sempre é possível, e a reconstrução cuidadosa da parede uterina é parte decisiva da técnica — especialmente quando há intenção de gestação futura.

4. Histerectomia

É o único tratamento definitivo, porque remove o órgão onde a doença está. Faz sentido em situações selecionadas — sintomas importantes, doença difusa, ausência de desejo reprodutivo, falha das demais opções — e, sempre que tecnicamente possível, por via minimamente invasiva.

5. A menopausa como fator de decisão

A adenomiose depende do estímulo hormonal do ciclo — com a menopausa, os sintomas tendem a diminuir de forma importante. Para uma paciente próxima dessa transição, controlar os sintomas por um período definido pode ser preferível a uma cirurgia. A ressalva inegociável: sangramento após a menopausa nunca deve ser atribuído à adenomiose sem investigação própria.

Quem tem adenomiose pode engravidar?

Sim, muitas mulheres com adenomiose engravidam, inclusive de forma espontânea. Ter adenomiose não significa ser infértil. Ao mesmo tempo, a conversa precisa ser honesta: metanálises convergem para um efeito desfavorável em ciclos de fertilização in vitro — menos gravidez clínica, menos nascidos vivos e mais abortamento —, e uma coorte pareada de 2025 confirmou a redução mesmo após ajuste para idade e qualidade embrionária. Três nuances mudam a leitura: a adenomiose assintomática parece pesar muito menos que a difusa e sintomática; achados de imagem diferentes se associam a desfechos diferentes; e a endometriose associada piora o prognóstico.

E tratar antes de tentar engravidar melhora as chances? A resposta honesta é: ainda não se sabe com segurança. O benefício do pré-tratamento antes da reprodução assistida — hormonal ou cirúrgico — é controverso, com estudos apontando em direções opostas e sem diretriz formal de sociedade com recomendação forte. Quem afirma com convicção que tratar sempre melhora a fertilidade está indo além do que a evidência sustenta. O que se pode fazer bem é decidir caso a caso — forma da doença, sintomas, idade, reserva ovariana, tempo de tentativa, endometriose associada — explicitando a incerteza em vez de escondê-la.

Adenomiose: quando buscar avaliação especializada

Cólica menstrual que interfere no trabalho ou nas atividades habituais

Fluxo menstrual muito aumentado, prolongado ou com coágulos

Anemia relacionada ao sangramento ou cansaço fora do comum

Dor pélvica recorrente ou dor durante as relações sexuais

Sensação de peso no baixo ventre ou aumento do volume abdominal

Dificuldade para engravidar, com ou sem tentativas prévias de tratamento

Adenomiose diagnosticada junto com endometriose

Diagnóstico por imagem sem clareza sobre a necessidade de tratar

Indicação de retirada do útero com desejo de discutir alternativas

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre adenomiose

Adenomiose é uma condição benigna em que tecido semelhante ao endométrio está presente dentro da parede muscular do útero, o miométrio. Esse tecido continua respondendo aos hormônios do ciclo, o que ajuda a explicar as cólicas intensas e o sangramento aumentado. Pode se apresentar de forma difusa, espalhada pela musculatura, ou focal, concentrada em uma região — e essa distinção influencia tanto os sintomas quanto as possibilidades de tratamento.

A adenomiose é uma condição benigna e não é considerada câncer nem lesão pré-cancerosa. Mas pode ser incapacitante: cólica que impede trabalhar, sangramento que causa anemia e dor que compromete a vida sexual são consequências reais. A gravidade se mede pelo impacto na vida da paciente, não pela extensão da doença no exame — e sintomas incapacitantes não devem ser normalizados como parte inevitável da menstruação.

A retirada do útero é o único tratamento definitivo. As demais opções — acompanhamento, tratamento hormonal e cirurgia conservadora — controlam os sintomas sem eliminar a doença enquanto houver estímulo hormonal. Para muitas pacientes, controlar dor e sangramento preservando o útero é exatamente o objetivo, e o tratamento é considerado bem-sucedido quando devolve rotina, sono e disposição — mesmo com a doença ainda presente na imagem.

Na adenomiose, o tecido semelhante ao endométrio está dentro da musculatura do útero. Na endometriose, ele está fora do útero e pode acometer ligamentos, ovários, intestino, bexiga e ureteres. As duas causam sintomas parecidos, podem coexistir na mesma paciente e, quando coexistem, os desfechos reprodutivos são piores do que na endometriose isolada — por isso a investigação de uma deve considerar a possibilidade da outra.

Sim, muitas mulheres com adenomiose engravidam, inclusive espontaneamente. A literatura mostra taxas menores de gravidez e de nascidos vivos e maior taxa de abortamento em ciclos de fertilização in vitro, sobretudo na forma difusa e sintomática — a adenomiose assintomática parece ter impacto bem menor. A presença da doença deve ser analisada dentro do prognóstico reprodutivo individual, junto com idade, reserva ovariana e outras condições associadas, e não isoladamente.

Não há resposta única, e a evidência disponível é inconclusiva. O benefício de tratar antes da reprodução assistida, com bloqueio hormonal ou cirurgia, é controverso: metanálises apontam em direções opostas e não existem diretrizes formais com recomendação forte sobre isso. A decisão é individual e considera a forma da doença, os sintomas, a idade, a reserva ovariana, o tempo de tentativa e a presença de endometriose associada.

Não. A histerectomia é considerada em situações selecionadas — sintomas importantes, doença difusa, ausência de desejo reprodutivo e falha das demais opções. Antes dela existem o acompanhamento, o tratamento hormonal (o DIU de levonorgestrel tem a melhor evidência para sintomas) e, em doença focal, a cirurgia conservadora. Quem recebeu indicação de retirada do útero pode legitimamente discutir alternativas numa avaliação especializada.

O mioma é um nódulo de músculo liso com limites nítidos e plano de clivagem, o que permite removê-lo preservando o útero. O adenomioma é tecido adenomiótico infiltrando a musculatura, sem limite cirúrgico definido, o que torna a remoção completa nem sempre possível. Os dois podem ser confundidos na imagem, e a distinção muda a expectativa sobre o que a cirurgia consegue entregar.

A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial e, na maioria dos casos, o principal — na literatura, com sensibilidade em torno de 70% a 84% e especificidade de 64% a 81%, dependendo do examinador e do critério. A ressonância magnética tem especificidade maior, em torno de 83% a 92%, e menor variabilidade entre examinadores: é preferida quando há dúvida diagnóstica, necessidade de avaliar a extensão com precisão, planejamento de intervenção ou suspeita de endometriose associada. Nenhum método isolado é definitivo — o diagnóstico combina clínica e imagem.

Sim. A adenomiose depende do estímulo hormonal do ciclo, e com a menopausa os sintomas tendem a diminuir de forma importante — a doença costuma deixar de ser um problema clínico ativo. Por isso a proximidade da menopausa é um fator legítimo na decisão entre tratar e acompanhar. Sangramento após a menopausa, porém, nunca deve ser atribuído à adenomiose sem investigação própria.

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