Os miomas estão entre as alterações ginecológicas mais comuns: estimativas de referência indicam que até 70% a 80% das mulheres desenvolvem ao menos um até a menopausa — e só uma parte precisa de tratamento. Entenda o que o seu exame significa, conheça a classificação FIGO e os caminhos possíveis, do acompanhamento à cirurgia com preservação do útero.
Mioma uterino: sintomas, tipos, tratamento e quando operar
Receber um laudo com as palavras “nódulo miometrial” ou “mioma uterino” costuma assustar mais do que deveria. O mioma, tecnicamente chamado de leiomioma, é um tumor benigno formado pelas células musculares do útero. Benigno aqui significa exatamente o que diz: não é câncer, não se transforma em câncer e, na imensa maioria dos casos, não traz risco de vida. Ainda assim, miomas podem alterar de forma importante a qualidade de vida — no sangramento, na dor, na fertilidade — e é por isso que merecem uma avaliação que vá além do diagnóstico em si.
Na prática do consultório, a pergunta raramente é “tenho mioma?“. Ela é, quase sempre, “o que eu faço com o mioma que tenho?“. E essa resposta depende de variáveis que precisam ser olhadas em conjunto: a localização do nódulo no útero, o tamanho, o número de miomas, a idade, os sintomas, o desejo de engravidar e o ritmo de crescimento ao longo do tempo. Nesta página, o Prof. Dr. Alexander Kopelman explica como essa análise é feita — incluindo a diferença entre mioma e adenomiose, condições distintas e frequentemente confundidas, e quando a miomectomia permite tratar os nódulos preservando o útero.
O que fazer diante de um mioma uterino?
Mioma uterino (leiomioma) é um tumor benigno do músculo do útero — não é câncer e não se transforma em câncer. É muito comum: estimativas de referência indicam que até 70% a 80% das mulheres terão ao menos um mioma até a menopausa, mas apenas cerca de 25% a 30% apresentam sintomas relevantes, como sangramento menstrual aumentado, anemia, dor ou pressão pélvica. Mioma sem sintomas, em geral, é apenas acompanhado. Quando o tratamento é necessário, as opções vão de medicamentos e DIU hormonal à embolização, à miomectomia (retirada dos nódulos com preservação do útero) e à histerectomia — e a escolha depende da localização (classificação FIGO), do tamanho, dos sintomas e do desejo reprodutivo. A avaliação individual com ginecologista é indispensável para definir a conduta.
O que é mioma uterino
Os miomas uterinos, ou leiomiomas, são tumores benignos que se formam a partir das células musculares lisas do útero, o chamado miométrio. Crescem sob estímulo dos hormônios femininos (estrogênio e progesterona), o que explica por que surgem durante a idade reprodutiva e tendem a estabilizar ou regredir após a menopausa. Podem ser únicos ou múltiplos, medir de poucos milímetros a muitos centímetros e ocupar posições diferentes no útero — e é essa combinação, mais do que qualquer número isolado do laudo, que define o comportamento de cada caso.
O mioma é a alteração ginecológica benigna mais comum da idade reprodutiva. As estimativas de frequência variam conforme o método de rastreamento: o boletim clínico do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG, 2021) estima que até 70% das mulheres terão ao menos um mioma até a menopausa, e a FEBRASGO cita estimativas de cerca de 80% entre mulheres em idade fértil — na maioria das vezes sem qualquer sintoma. Em mulheres negras, os miomas são mais frequentes, aparecem mais cedo e tendem a evoluir com mais sintomas, o que justifica atenção redobrada às queixas.
Dois esclarecimentos evitam boa parte da ansiedade em torno do tema. Primeiro: mioma não vira câncer — o leiomiossarcoma, tumor maligno do músculo uterino, é uma doença rara e distinta, que não nasce da “transformação” de um mioma comum; crescimento muito rápido, sobretudo após a menopausa, é o sinal que pede reavaliação criteriosa. Segundo: ter mioma não é, por si só, indicação de tratamento. Estima-se que apenas 25% a 30% das mulheres com miomas tenham sintomas clinicamente relevantes — as demais descobrem o nódulo por acaso, em exames de rotina, e podem apenas acompanhá-lo.
A paciente chega ao consultório, muitas vezes, com a notícia de que tem mioma, e com uma ansiedade que não combina com uma doença benigna. Parte importante do meu trabalho é traduzir o que aquele laudo significa de fato. Nem todo mioma exige cirurgia. Mas todo mioma merece uma avaliação que olhe a paciente inteira: idade, sintomas, planos reprodutivos, qualidade de vida. A decisão nasce dessa conversa.
Prof. Dr. Alexander Kopelman
CRM-SP 103.944 · RQE 945031 · RQE 945032
Sintomas de mioma uterino: os sinais mais comuns
Sangramento menstrual aumentado
É o sintoma mais frequente: menstruação com volume ou duração maiores, coágulos e, em alguns casos, sangramento entre os ciclos. É típico dos miomas que alcançam a cavidade uterina (submucosos) e dos intramurais maiores. Sangramento que obriga a trocar o absorvente a cada 1–2 horas não deve ser tratado como “normal”.
Anemia, cansaço e queda de rendimento
A anemia por perda menstrual é a complicação mais subestimada dos miomas. Cansaço desproporcional, falta de ar aos esforços, palidez e queda de rendimento merecem um hemograma — e, quando a anemia está presente, controlar o sangramento se torna parte central do tratamento.
Dor pélvica e cólica intensa
Dor súbita e intensa é situação à parte: pode indicar degeneração ou torção de um mioma pediculado e pede avaliação no mesmo dia.
Peso pélvico e aumento do abdome
Miomas volumosos ou múltiplos aumentam o útero e podem causar sensação de peso ou pressão no baixo ventre — em alguns casos, com aumento visível do volume abdominal, que a paciente percebe na roupa antes de perceber em qualquer exame.
Sintomas urinários e intestinais
Quando o mioma comprime a bexiga, aparece vontade frequente de urinar; quando comprime o reto, constipação e desconforto para evacuar. São sintomas de vizinhança: não nascem do útero em si, mas do espaço que o mioma passa a ocupar na pelve.
Dificuldade para engravidar
É a minoria dos casos, mas acontece: miomas submucosos deformam a cavidade uterina e podem dificultar a implantação do embrião, além de se associarem a abortamento de repetição. Miomas intramurais grandes também podem interferir.
O que causa mioma no útero
Não existe uma causa única identificável na maioria dos casos. O que a ciência conhece são fatores que favorecem o aparecimento e o crescimento dos nódulos, atuando em conjunto: o estímulo hormonal (estrogênio e progesterona sustentam o crescimento — por isso os miomas pertencem à idade reprodutiva e tendem a regredir depois da menopausa), a predisposição genética (ter mãe ou irmã com miomas aumenta a probabilidade, e há alterações moleculares já descritas no tecido do mioma) e fatores metabólicos e reprodutivos associados em estudos populacionais, como obesidade, primeira menstruação precoce e nunca ter engravidado.
Vale dizer com clareza: não há alimento, exercício ou comportamento que explique sozinho o surgimento de um mioma — e a busca por um culpado costuma gerar culpa sem gerar decisão clínica. O que muda o rumo do caso não é descobrir “por que ele apareceu”, e sim caracterizar bem o nódulo (onde está, quanto mede, como cresce) e o quadro da paciente. É essa caracterização que orienta a conduta.
Tipos de mioma e classificação FIGO (0 a 8)
A localização do mioma no útero importa mais do que o tamanho — e é ela que a classificação da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) organiza. Publicado em 2011 e revisado em 2018, o sistema numera os miomas de 0 a 8 conforme a posição na parede uterina: quanto menor o número, mais próximo da cavidade do útero; quanto maior, mais próximo da superfície externa. Essa numeração não é um detalhe de laudo: ela prediz o tipo de sintoma esperado e define a via de tratamento quando ele é necessário — miomas dentro da cavidade costumam ser operados por histeroscopia, sem cortes; miomas da parede e da superfície, por laparoscopia ou cirurgia robótica.
No vídeo abaixo, o Prof. Dr. Alexander Kopelman explica os três grandes grupos de miomas — submucosos, intramurais e subserosos —, por que cerca de 70% das mulheres com miomas não têm sintoma algum e em que situações o tratamento é realmente indicado.
Transcrição do vídeo
Nesse vídeo eu vou falar sobre uma das doenças mais comuns no organismo da mulher, que são os miomas ou leiomiomas do útero. Essa doença, segundo estudos, atinge quase 70% das mulheres em algum momento do seu período reprodutivo. Algumas mulheres apresentam nódulos únicos, algumas mais de dez nódulos ao mesmo tempo.
Cerca de 70% dessas mulheres não têm nenhum sintoma e o mioma é apenas acompanhado, não exige nenhum tipo de tratamento. Mas aproximadamente 30% vão ter sintomas que variam de alterações de fluxo menstrual, cólica menstrual e, mais raramente, quadro de infertilidade. É muito raro que o mioma isoladamente seja a causa de infertilidade — alguns estudos falam que isso acontece em cerca de 1% apenas das mulheres com infertilidade.
Os miomas se dividem em três tipos, de acordo com a localização que ocupam no corpo do útero. Quando aparecem na parte de dentro do útero, em contato com a mucosa uterina, são chamados de miomas submucosos. O endométrio, a camada que reveste o útero por dentro, também é chamado de mucosa uterina. Esses miomas encostam na mucosa, abaúlam e algumas vezes se projetam inteiramente na cavidade uterina. Costumam causar alterações de fluxo menstrual e pequenos sangramentos entre um período menstrual e outro. Esse tipo de mioma também está relacionado ao aumento do risco de aborto — por isso, para quem já vivenciou um abortamento ou está planejando uma gestação, quando o exame de imagem mostra um mioma submucoso é fundamental conversar com o ginecologista para verificar se há necessidade de retirá-lo.
O segundo tipo é o mioma que fica no meio da musculatura do útero, e pode se posicionar mais para a parte externa ou interna dessa musculatura. Alguns são intramurais e parcialmente submucosos, quando entram em contato com a mucosa uterina. Os leiomiomas intramurais podem ser completamente assintomáticos, mas costumam causar alteração no fluxo menstrual, aumentando tanto a duração quanto a intensidade. O quadro de dor relacionado ao mioma acontece de forma mais rara. Quando miomas grandes ficam na parte de trás do útero, podem comprimir o intestino e causar sintomas intestinais.
O terceiro tipo é o mioma subseroso, aquele que fica na parte externa e parece grudado no útero, coberto pela serosa — a camada de células que reveste o útero, também chamada de peritônio. Os miomas subserosos são os de menor impacto na qualidade de vida: boa parte não causa nenhum sintoma, dor ou alteração de fluxo menstrual.
Diante disso, como deve ser o tratamento dos leiomiomas? Em primeiro lugar, é importante lembrar que quase 70% das mulheres com miomas não têm nenhum sintoma, e nesses casos é indicado apenas acompanhamento. Não é preciso fazer nenhuma cirurgia para tratar miomas que não causam sintomas.
Os tipos de mioma na prática
A classificação FIGO numera os miomas de 0 a 8, conforme a posição no útero:
- tipos 0 a 2 — submucosos: alcançam a cavidade uterina; são os que mais causam sangramento aumentado e impacto na fertilidade;
- tipos 3 e 4 — intramurais: crescem na espessura da parede muscular do útero; são os mais comuns;
- tipos 5 e 6 — subserosos: projetam-se para a superfície externa; quando volumosos, comprimem bexiga e intestino;
- tipo 7 — subseroso pediculado: preso ao útero por um pedículo fino, com risco de torção e dor aguda;
- tipo 8 — outras localizações: fora do corpo uterino, como os miomas do colo do útero (cervicais);
- híbridos (ex.: tipo 2-5) — atravessam mais de uma camada e combinam características de dois grupos.
O tamanho entra na conta, mas nunca sozinho: um mioma submucoso de 2 cm pode causar sangramento incapacitante, enquanto um subseroso de 10 cm pode passar anos sem sintomas. A classificação correta exige ultrassonografia transvaginal de boa qualidade — e ressonância magnética da pelve em casos selecionados, como úteros muito volumosos, miomas múltiplos ou planejamento de embolização e cirurgia.
Mioma e gravidez: quando ele interfere na fertilidade
A maior parte dos miomas não impede a gravidez — o mioma isolado é causa pouco frequente de infertilidade. Quando há interferência, ela se concentra em situações específicas: miomas submucosos, que deformam a cavidade uterina, reduzem as taxas de implantação do embrião e aumentam o risco de abortamento — a diretriz da American Society for Reproductive Medicine (ASRM, 2017) reconhece benefício em removê-los por histeroscopia nesse contexto; e miomas intramurais volumosos que distorcem o endométrio, cujo impacto é discutido caso a caso, porque a evidência é menos definitiva. Miomas subserosos raramente afetam a fertilidade.
Durante a gestação, miomas podem crescer, causar dor por degeneração e, em parte dos casos, influenciar a posição fetal e a via de parto, mas a maioria das gestações com miomas evolui bem, com acompanhamento pré-natal adequado. A decisão de tratar antes de tentar engravidar não se toma pelo achado do exame, e sim pelo conjunto: tipo do mioma (FIGO), sintomas, idade, reserva ovariana e histórico reprodutivo.
Tratamento de mioma uterino: os cinco caminhos possíveis
1. Acompanhamento clínico
Miomas pequenos e sem sintomas, em geral, são apenas monitorados com consultas e ultrassonografias periódicas — conduta expressamente validada pelas diretrizes internacionais. Perto da menopausa, a tendência natural é de estabilização ou regressão. Acompanhar não é “não fazer nada”: é vigiar o ritmo de crescimento e os sintomas para agir na hora certa.
2. Medicamentos e DIU hormonal
O tratamento medicamentoso mira principalmente o sangramento: DIU hormonal, contraceptivos hormonais e ácido tranexâmico reduzem o fluxo em casos selecionados. Análogos e antagonistas de GnRH podem reduzir temporariamente o volume dos miomas — úteis, por exemplo, no preparo para cirurgia ou no controle da anemia. Medicamentos controlam sintomas, mas não eliminam os nódulos de forma definitiva.
3. Embolização das artérias uterinas
Procedimento de radiologia intervencionista em que se obstrui, por cateter, o fluxo de sangue que alimenta os miomas, levando à redução do volume e do sangramento — sem corte cirúrgico e com internação curta. É opção consolidada para casos selecionados, sobretudo sem desejo reprodutivo: o efeito sobre fertilidade e gestações futuras não é equivalente ao da miomectomia, miomas pediculados e submucosos respondem de forma diferente, e o planejamento costuma exigir ressonância magnética.
4. Miomectomia — retirar os miomas e manter o útero
A miomectomia remove apenas os nódulos, preservando o útero. Pode ser feita por histeroscopia (miomas submucosos, sem cortes externos), por videolaparoscopia ou por via robótica, conforme o caso. É a escolha habitual quando há desejo reprodutivo — com reconstrução da parede uterina em planos, parte decisiva da técnica. Importante saber: novos miomas podem surgir com o tempo, e esse risco faz parte da conversa de decisão.
5. Histerectomia — quando retirar o útero faz sentido
A retirada do útero é o único tratamento definitivo — elimina os miomas existentes e a possibilidade de novos nódulos. É considerada em casos selecionados: mulheres sem desejo reprodutivo, com sintomas importantes, miomas muito numerosos ou volumosos, ou quando as demais opções falharam. Sempre que tecnicamente possível, por via minimamente invasiva, com recuperação mais rápida.
Nem todo mioma precisa de cirurgia e nem toda cirurgia precisa retirar o útero
Existem dois erros opostos no tratamento dos miomas: operar cedo demais o que só precisava de acompanhamento, e normalizar por anos um sangramento que já causava anemia e limitava a vida. A proteção contra os dois é a mesma: uma avaliação estruturada, que revisa os exames de imagem com classificação FIGO precisa, mede o impacto real dos sintomas e coloca na mesa os planos reprodutivos da paciente antes de qualquer decisão.
Quando a cirurgia é indicada, a prioridade é a técnica que resolve com menor agressão: histeroscopia, videolaparoscopia ou cirurgia robótica, com sutura do útero em planos quando há intenção de gestação futura.
Mioma: quando buscar avaliação especializada
Perguntas frequentes sobre mioma uterino
Mioma uterino — tecnicamente leiomioma — é um tumor benigno formado pelas células musculares do útero. É a alteração ginecológica benigna mais comum da idade reprodutiva: estudos estimam que 50% a 80% das mulheres desenvolvem ao menos um mioma até a menopausa, a maioria sem sintomas. Não é câncer. Os miomas podem ser únicos ou múltiplos, medir de milímetros a muitos centímetros e ocupar diferentes posições no útero — e é a localização, mais que o tamanho, que define os sintomas e o tratamento.
A retirada do útero (histerectomia) é o único tratamento que elimina definitivamente os miomas e a possibilidade de novos nódulos. As demais opções — acompanhamento, medicamentos, embolização e miomectomia — controlam sintomas ou removem os nódulos existentes, mas novos miomas podem surgir enquanto houver estímulo hormonal. Isso não torna essas opções inferiores: em muitas pacientes, controlar o sangramento e preservar o útero é exatamente o objetivo, e a recorrência pode nunca se tornar clinicamente relevante.
Não. O mioma é benigno e não se transforma em câncer. Existe um tumor maligno raro do músculo uterino, o leiomiossarcoma, que é uma doença distinta — não uma “evolução” do mioma — e costuma se comportar de forma diferente desde o início. Crescimento muito rápido do nódulo, principalmente depois da menopausa, é o sinal que justifica reavaliação criteriosa com exames de imagem, não motivo para alarme automático.
Não. Estima-se que só 25% a 30% das mulheres com miomas tenham sintomas relevantes. Miomas pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados com ultrassonografias periódicas. A intervenção é considerada quando há sangramento aumentado, anemia, dor, sintomas de compressão, impacto na fertilidade ou crescimento progressivo — e, mesmo nesses casos, a escolha entre medicamento, embolização, miomectomia e histerectomia é individualizada, conforme a classificação FIGO, a idade e o desejo reprodutivo.
Sim. A miomectomia retira apenas os nódulos e preserva o útero. Miomas submucosos costumam ser removidos por histeroscopia, sem cortes externos; miomas intramurais e subserosos, por videolaparoscopia ou cirurgia robótica em casos selecionados. É a opção habitual quando há desejo de engravidar — e a reconstrução da parede uterina em planos é parte decisiva da técnica quando existe intenção de gestação futura.
Na maioria dos casos, sim. O mioma isolado é causa pouco frequente de infertilidade. Os que mais interferem são os submucosos, que deformam a cavidade uterina e se associam a falhas de implantação e abortamento, e os intramurais volumosos que distorcem o endométrio. A decisão de tratar antes de tentar engravidar depende do tipo do mioma (FIGO), dos sintomas, da idade, da reserva ovariana e do histórico reprodutivo — não apenas da presença do nódulo no exame.
É o sistema da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), publicado em 2011 e revisado em 2018, que numera os miomas de 0 a 8 conforme a localização no útero. Tipos 0 a 2 são submucosos (alcançam a cavidade uterina); tipos 3 e 4, intramurais (na parede muscular); tipos 5 e 6, subserosos (voltados para a superfície externa); tipo 7, subseroso pediculado; tipo 8, outras localizações, como o colo do útero. Há ainda miomas híbridos (ex.: 2-5), que atravessam mais de uma camada. A classificação orienta o tratamento: submucosos costumam ser tratados por histeroscopia; intramurais e subserosos, por laparoscopia ou via robótica.
“Mioma inflamado” não é um diagnóstico formal, mas descreve situações reais. Em geral, o termo se refere à degeneração do mioma — quando o nódulo cresce além do que sua irrigação sanguínea sustenta e parte do tecido sofre — ou à torção de um mioma pediculado. Pode causar dor pélvica súbita e intensa, sensibilidade local, febre baixa e mal-estar. Dor forte de início abrupto, sobretudo com febre ou vômitos, exige avaliação médica no mesmo dia.
Nenhuma é “melhor” em termos absolutos, são indicações diferentes. A embolização das artérias uterinas reduz o volume e o sangramento sem corte cirúrgico e costuma ser considerada em casos selecionados sem desejo reprodutivo; miomas submucosos e pediculados respondem de forma diferente ao método. A miomectomia remove os nódulos preservando o útero e é a escolha habitual quando há planos de gravidez. A histerectomia é o tratamento definitivo para casos selecionados. A escolha depende principalmente de onde os miomas estão, quantos são, qual o tamanho, se deformam a cavidade uterina, quais sintomas provocam e quais são os planos reprodutivos da paciente. É esse conjunto de critérios que deve orientar a decisão.
Não sozinho. Um mioma submucoso de 2 cm pode causar sangramento incapacitante e atrapalhar uma gestação, enquanto um subseroso de 10 cm pode permanecer anos sem sintomas. O que orienta a conduta é a combinação de quatro variáveis: localização (classificação FIGO), tamanho, sintomas e objetivos reprodutivos — avaliadas em conjunto, nunca por um número isolado do laudo.
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- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Management of Symptomatic Uterine Leiomyomas — Practice Bulletin nº 228. Obstetrics & Gynecology, 2021.
- Munro MG et al. / FIGO. Sistemas PALM-COEIN e subclassificação dos leiomiomas uterinos (tipos 0 a 8). International Journal of Gynecology & Obstetrics, 2011; revisão 2018.
- FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Mioma uterino: um problema muito comum e quase silencioso. 2017.
- Ministério da Saúde / Conitec. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Leiomioma de Útero (Portaria Conjunta nº 11/2017; relatório preliminar de atualização em consulta pública, 2026).
- Fiocruz — Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher (IFF). Principais questões sobre miomatose: quando a cirurgia é indicada? 2021.
- American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Removal of myomas in asymptomatic patients to improve fertility and/or reduce miscarriage rate: a guideline. Fertility and Sterility, 2017.
- StatPearls — NCBI Bookshelf. Uterine Fibroids (Leiomyoma): epidemiologia, proporção sintomática e dados sobre sarcoma em cirurgias por mioma presumido.
Relatos sobre a experiência de atendimento
Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui consulta médica, exame físico ou avaliação individualizada. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado, considerando o histórico, os exames e os objetivos de cada paciente.



