Artigo sobre definição, sintomas, diagnóstico por imagem, tratamento clínico e cirúrgico, relação com endometriose e impacto reprodutivo da adenomiose.
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Artigo sobre definição, sintomas, diagnóstico por imagem, tratamento clínico e cirúrgico, relação com endometriose e impacto reprodutivo da adenomiose.
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A adenomiose pode causar cólicas intensas, sangramento menstrual aumentado e, em algumas mulheres, dificuldade para engravidar. O diagnóstico e o tratamento dependem da combinação entre sintomas, exames de imagem, idade e desejo reprodutivo.
Adenomiose é uma condição em que glândulas e estroma semelhantes ao endométrio são identificados dentro do miométrio, a camada muscular do útero. Ela pode ser assintomática ou estar associada a sangramento uterino anormal, cólicas, dor pélvica, dor durante a relação sexual e infertilidade. Ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética ajudam no diagnóstico, mas nenhum achado isolado deve ser interpretado fora do contexto clínico.
A doença é diferente da endometriose, embora as duas possam coexistir. Na adenomiose, o tecido está localizado na parede muscular do útero. Na endometriose, tecido semelhante ao endométrio aparece fora do útero, podendo envolver ovários, peritônio, intestino, bexiga, ureteres e outras estruturas. Para compreender melhor essa distinção, consulte também a diferença entre adenomiose e endometriose.
O útero é formado por diferentes camadas. O endométrio reveste a cavidade uterina e se modifica ao longo do ciclo menstrual. O miométrio é a camada muscular responsável pelas contrações menstruais e pelo crescimento do útero durante a gestação.
Na adenomiose, estruturas semelhantes às do endométrio estão presentes no miométrio e podem desencadear inflamação, hipertrofia muscular, alteração da contratilidade uterina e fibrose. A doença pode ser difusa, quando compromete uma área extensa da parede uterina, ou focal, formando uma região mais localizada, chamada adenomioma.
A causa exata ainda não é totalmente esclarecida. Entre as hipóteses estudadas estão a invaginação do endométrio basal em direção ao miométrio, alterações na interface entre endométrio e miométrio e processos repetidos de lesão e reparo tecidual. Gravidez, parto, cesariana, curetagem e outras intervenções uterinas podem estar associadas ao diagnóstico, mas não explicam todos os casos.
A apresentação é variável. Algumas pacientes não apresentam sintomas, enquanto outras convivem com manifestações que afetam a rotina e a qualidade de vida.
Esses sintomas não são exclusivos da adenomiose. Miomas, endometriose, pólipos, alterações hormonais e outras condições também podem provocar dor ou sangramento. Por isso, o diagnóstico não deve ser feito apenas pela presença de um sintoma.
Não. São condições diferentes, embora relacionadas e frequentemente coexistentes.
O tecido semelhante ao endométrio está dentro da musculatura uterina. Sangramento uterino anormal e aumento do volume do útero podem ser mais marcantes.
As lesões aparecem fora do útero. Podem envolver ovários, peritônio, intestino, bexiga, ureteres e outras regiões. A página sobre endometriose aprofunda os diferentes tipos e manifestações da doença.
Uma paciente pode ter apenas adenomiose, apenas endometriose ou as duas condições ao mesmo tempo. A presença de uma não confirma automaticamente a outra.
O diagnóstico atual costuma ser clínico e por imagem. A avaliação reúne história menstrual, padrão da dor, exame ginecológico e achados da ultrassonografia transvaginal ou da ressonância magnética.
É geralmente o exame inicial. Os critérios MUSA revisados organizam os sinais ultrassonográficos em características diretas e indiretas.
Nenhum sinal isolado é suficiente em todas as pacientes. A qualidade do exame e a experiência de quem realiza e interpreta a ultrassonografia influenciam o resultado.
Pode ser útil quando o ultrassom não esclarece o quadro, quando há dúvida entre adenomiose e mioma, no planejamento cirúrgico ou diante de anatomia complexa. A análise inclui a zona juncional, o padrão do miométrio e a presença de doença focal ou difusa.
Em alguns casos, o útero pode estar aumentado, globoso, amolecido ou sensível. Esses achados ajudam, mas não confirmam a doença de forma isolada.
O tratamento depende da intensidade dos sintomas, idade, presença de anemia, extensão da doença, tratamentos anteriores e desejo de engravidar. Nem toda paciente precisa de cirurgia.
O objetivo principal é controlar dor e sangramento. Podem ser considerados, conforme avaliação individual:
Não existe uma única medicação ideal para todas as pacientes. A resposta pode variar, e efeitos adversos, contraindicações, necessidade contraceptiva e projeto reprodutivo precisam ser considerados.
A histerectomia é o tratamento definitivo para a adenomiose uterina, mas só deve ser discutida quando não há desejo de gestação e os sintomas persistem apesar de outras estratégias. Quando indicada, pode ser realizada por abordagem aberta, laparoscópica ou robótica, conforme o caso.
Cirurgias conservadoras, como a adenomiomectomia, podem ser avaliadas em situações muito selecionadas, sobretudo na doença focal. São procedimentos tecnicamente complexos porque o limite entre o tecido comprometido e o miométrio saudável nem sempre é bem definido. Recorrência, integridade da parede uterina e riscos obstétricos devem fazer parte da decisão.
Quando há indicação de cirurgia, a escolha da via deve considerar a anatomia, a extensão da doença e a experiência da equipe. A página sobre cirurgia robótica ginecológica explica em quais casos a tecnologia pode ser considerada e por que ela não é necessária para todas as pacientes.
Sim, a adenomiose pode estar associada à subfertilidade e a resultados reprodutivos menos favoráveis em algumas mulheres. Entre os mecanismos propostos estão inflamação, alteração da contratilidade uterina, mudança da zona juncional e possível interferência na receptividade endometrial.
Isso não significa que toda mulher com adenomiose terá dificuldade para engravidar. A fertilidade também depende de idade, reserva ovariana, tubas, espermograma, presença de endometriose, miomas, histórico gestacional e tempo de tentativa.
Não. A estratégia de fertilização in vitro deve ser individualizada. A literatura ainda não sustenta que toda paciente com adenomiose deva obrigatoriamente realizar transferência apenas de embriões congelados ou receber supressão prolongada com agonista de GnRH.
Em alguns casos, pode ser discutido congelar os embriões e preparar o útero em outro ciclo. Em outros, pode-se considerar bloqueio hormonal antes da transferência. A decisão depende do padrão da adenomiose, sintomas, idade, reserva ovariana, histórico de implantação, tratamentos anteriores e avaliação reprodutiva completa.
Para aprofundar o impacto das doenças ginecológicas no planejamento reprodutivo, consulte endometriose e fertilidade. Embora a página tenha foco em endometriose, ela ajuda a compreender como idade, reserva ovariana, cirurgia e FIV precisam ser analisadas em conjunto.
A página quando buscar avaliação reúne situações em que a revisão dos sintomas, dos exames e dos objetivos reprodutivos pode ajudar a organizar a conduta.
Os sintomas podem ser controlados com tratamento clínico ou procedimentos conservadores. A histerectomia é o tratamento definitivo, mas não é indicada para todas as pacientes e elimina a possibilidade de gestação.
A adenomiose é uma condição benigna. Alterações malignas são raras, e sintomas novos ou atípicos devem ser investigados individualmente.
Sim. Muitas mulheres engravidam naturalmente. Em outras, a adenomiose pode contribuir para infertilidade, e a avaliação deve considerar idade, reserva ovariana, tubas, espermograma e doenças associadas.
O sistema intrauterino com levonorgestrel pode reduzir sangramento e dor em algumas pacientes. A indicação depende do tamanho e formato da cavidade uterina, sintomas, contraindicações e desejo reprodutivo.
Não. A ultrassonografia transvaginal realizada por profissional experiente costuma ser o primeiro exame. A ressonância pode complementar a investigação em casos selecionados.
Não. A conduta depende da idade, reserva ovariana, tempo de infertilidade, tubas, espermograma, extensão da doença e histórico reprodutivo. A FIV é uma possibilidade, não uma regra automática.
Quer entender mais sobre adenomiose, sintomas, diagnóstico, tratamento e infertilidade? Assista ao vídeo completo do Dr. Alexander Kopelman sobre o assunto.
Camada que reveste a parte interna do útero e se modifica ao longo do ciclo menstrual.
Camada muscular do útero, responsável pelas contrações menstruais e do parto.
Região de transição entre endométrio e miométrio, avaliada especialmente na ressonância e no ultrassom 3D.
Forma focal da adenomiose, que pode se apresentar como uma área localizada no miométrio.
Termo médico para cólica menstrual.
Técnica de reprodução assistida em que óvulos são fertilizados em laboratório e os embriões são posteriormente transferidos para o útero.
O Prof. Dr. Alexander Kopelman é Médico Ginecologista — CRM-SP 103.944 — com RQE 945031 em Endoscopia Ginecológica e RQE 945032 em Reprodução Assistida. É MD, MSc e PhD pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Foi Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia da UNIFESP/EPM entre 2019 e 2024 e atualmente atua como Colaborador Científico e Professor Voluntário, com atuação no Ambulatório de Endometriose. Tem atuação em endometriose profunda, dor pélvica crônica, endometrioma, adenomiose, infertilidade, reprodução humana, preservação da fertilidade, cirurgia ginecológica minimamente invasiva e cirurgia robótica. É Console Surgeon certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci Xi pelo IRCAD América Latina. Atende em São Paulo, na Clínica Evince, e realiza procedimentos cirúrgicos nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
Conteúdo revisado clinicamente pelo Prof. Dr. Alexander Kopelman em 13 de julho de 2026.
Aviso médico: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial ou avaliação individualizada. Cada caso deve ser analisado por profissional habilitado.