Compartilhe

Compartilhe

Miomas e adenomiose

Adenomiose: sintomas, diagnóstico e tratamento

Artigo sobre definição, sintomas, diagnóstico por imagem, tratamento clínico e cirúrgico, relação com endometriose e impacto reprodutivo da adenomiose.

Por

50

A adenomiose pode causar cólicas intensas, sangramento menstrual aumentado e, em algumas mulheres, dificuldade para engravidar. O diagnóstico e o tratamento dependem da combinação entre sintomas, exames de imagem, idade e desejo reprodutivo.

Adenomiose é uma condição em que glândulas e estroma semelhantes ao endométrio são identificados dentro do miométrio, a camada muscular do útero. Ela pode ser assintomática ou estar associada a sangramento uterino anormal, cólicas, dor pélvica, dor durante a relação sexual e infertilidade. Ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética ajudam no diagnóstico, mas nenhum achado isolado deve ser interpretado fora do contexto clínico.

A doença é diferente da endometriose, embora as duas possam coexistir. Na adenomiose, o tecido está localizado na parede muscular do útero. Na endometriose, tecido semelhante ao endométrio aparece fora do útero, podendo envolver ovários, peritônio, intestino, bexiga, ureteres e outras estruturas. Para compreender melhor essa distinção, consulte também a diferença entre adenomiose e endometriose.

O que é adenomiose?

O útero é formado por diferentes camadas. O endométrio reveste a cavidade uterina e se modifica ao longo do ciclo menstrual. O miométrio é a camada muscular responsável pelas contrações menstruais e pelo crescimento do útero durante a gestação.

Na adenomiose, estruturas semelhantes às do endométrio estão presentes no miométrio e podem desencadear inflamação, hipertrofia muscular, alteração da contratilidade uterina e fibrose. A doença pode ser difusa, quando compromete uma área extensa da parede uterina, ou focal, formando uma região mais localizada, chamada adenomioma.

A causa exata ainda não é totalmente esclarecida. Entre as hipóteses estudadas estão a invaginação do endométrio basal em direção ao miométrio, alterações na interface entre endométrio e miométrio e processos repetidos de lesão e reparo tecidual. Gravidez, parto, cesariana, curetagem e outras intervenções uterinas podem estar associadas ao diagnóstico, mas não explicam todos os casos.

Quais são os sintomas da adenomiose?

A apresentação é variável. Algumas pacientes não apresentam sintomas, enquanto outras convivem com manifestações que afetam a rotina e a qualidade de vida.

  • Cólicas menstruais intensas ou progressivas.
  • Sangramento menstrual aumentado ou prolongado.
  • Dor pélvica crônica.
  • Dor durante ou após a relação sexual.
  • Sensação de peso ou aumento do volume pélvico.
  • Anemia relacionada ao sangramento.
  • Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais em alguns casos.

Esses sintomas não são exclusivos da adenomiose. Miomas, endometriose, pólipos, alterações hormonais e outras condições também podem provocar dor ou sangramento. Por isso, o diagnóstico não deve ser feito apenas pela presença de um sintoma.

Adenomiose e endometriose são a mesma doença?

Não. São condições diferentes, embora relacionadas e frequentemente coexistentes.

Na adenomiose

O tecido semelhante ao endométrio está dentro da musculatura uterina. Sangramento uterino anormal e aumento do volume do útero podem ser mais marcantes.

Na endometriose

As lesões aparecem fora do útero. Podem envolver ovários, peritônio, intestino, bexiga, ureteres e outras regiões. A página sobre endometriose aprofunda os diferentes tipos e manifestações da doença.

Uma paciente pode ter apenas adenomiose, apenas endometriose ou as duas condições ao mesmo tempo. A presença de uma não confirma automaticamente a outra.

Como é feito o diagnóstico da adenomiose?

O diagnóstico atual costuma ser clínico e por imagem. A avaliação reúne história menstrual, padrão da dor, exame ginecológico e achados da ultrassonografia transvaginal ou da ressonância magnética.

Ultrassonografia transvaginal

É geralmente o exame inicial. Os critérios MUSA revisados organizam os sinais ultrassonográficos em características diretas e indiretas.

  • Sinais diretos: cistos miometriais, ilhas hiperecogênicas e linhas ou brotos subendometriais.
  • Sinais indiretos: útero globular, espessamento assimétrico do miométrio, sombra em leque, vascularização translesional e irregularidade ou interrupção da zona juncional.

Nenhum sinal isolado é suficiente em todas as pacientes. A qualidade do exame e a experiência de quem realiza e interpreta a ultrassonografia influenciam o resultado.

Ressonância magnética

Pode ser útil quando o ultrassom não esclarece o quadro, quando há dúvida entre adenomiose e mioma, no planejamento cirúrgico ou diante de anatomia complexa. A análise inclui a zona juncional, o padrão do miométrio e a presença de doença focal ou difusa.

Exame ginecológico

Em alguns casos, o útero pode estar aumentado, globoso, amolecido ou sensível. Esses achados ajudam, mas não confirmam a doença de forma isolada.

Como é o tratamento da adenomiose?

O tratamento depende da intensidade dos sintomas, idade, presença de anemia, extensão da doença, tratamentos anteriores e desejo de engravidar. Nem toda paciente precisa de cirurgia.

Tratamento clínico

O objetivo principal é controlar dor e sangramento. Podem ser considerados, conforme avaliação individual:

  • anti-inflamatórios e analgésicos para controle da dor;
  • contraceptivos hormonais combinados;
  • progestagênios;
  • sistema intrauterino liberador de levonorgestrel;
  • agonistas ou antagonistas de GnRH em situações selecionadas;
  • medicações para reduzir sangramento, quando indicadas.

Não existe uma única medicação ideal para todas as pacientes. A resposta pode variar, e efeitos adversos, contraindicações, necessidade contraceptiva e projeto reprodutivo precisam ser considerados.

Tratamento cirúrgico

A histerectomia é o tratamento definitivo para a adenomiose uterina, mas só deve ser discutida quando não há desejo de gestação e os sintomas persistem apesar de outras estratégias. Quando indicada, pode ser realizada por abordagem aberta, laparoscópica ou robótica, conforme o caso.

Cirurgias conservadoras, como a adenomiomectomia, podem ser avaliadas em situações muito selecionadas, sobretudo na doença focal. São procedimentos tecnicamente complexos porque o limite entre o tecido comprometido e o miométrio saudável nem sempre é bem definido. Recorrência, integridade da parede uterina e riscos obstétricos devem fazer parte da decisão.

Quando há indicação de cirurgia, a escolha da via deve considerar a anatomia, a extensão da doença e a experiência da equipe. A página sobre cirurgia robótica ginecológica explica em quais casos a tecnologia pode ser considerada e por que ela não é necessária para todas as pacientes.

A adenomiose pode causar infertilidade?

Sim, a adenomiose pode estar associada à subfertilidade e a resultados reprodutivos menos favoráveis em algumas mulheres. Entre os mecanismos propostos estão inflamação, alteração da contratilidade uterina, mudança da zona juncional e possível interferência na receptividade endometrial.

Isso não significa que toda mulher com adenomiose terá dificuldade para engravidar. A fertilidade também depende de idade, reserva ovariana, tubas, espermograma, presença de endometriose, miomas, histórico gestacional e tempo de tentativa.

Adenomiose e FIV: o tratamento deve ser igual para todas?

Não. A estratégia de fertilização in vitro deve ser individualizada. A literatura ainda não sustenta que toda paciente com adenomiose deva obrigatoriamente realizar transferência apenas de embriões congelados ou receber supressão prolongada com agonista de GnRH.

Em alguns casos, pode ser discutido congelar os embriões e preparar o útero em outro ciclo. Em outros, pode-se considerar bloqueio hormonal antes da transferência. A decisão depende do padrão da adenomiose, sintomas, idade, reserva ovariana, histórico de implantação, tratamentos anteriores e avaliação reprodutiva completa.

Para aprofundar o impacto das doenças ginecológicas no planejamento reprodutivo, consulte endometriose e fertilidade. Embora a página tenha foco em endometriose, ela ajuda a compreender como idade, reserva ovariana, cirurgia e FIV precisam ser analisadas em conjunto.

Quando procurar avaliação especializada

  • Cólicas intensas ou progressivas.
  • Sangramento que causa anemia, cansaço ou impacto importante na rotina.
  • Dor pélvica persistente ou dor na relação sexual.
  • Ultrassom ou ressonância com suspeita de adenomiose.
  • Dificuldade para engravidar.
  • Falhas repetidas de implantação ou perdas gestacionais que precisam de investigação.
  • Dúvida entre tratamento clínico, cirurgia ou reprodução assistida.
  • Sintomas persistentes apesar de tratamentos anteriores.

A página quando buscar avaliação reúne situações em que a revisão dos sintomas, dos exames e dos objetivos reprodutivos pode ajudar a organizar a conduta.

Perguntas frequentes

Adenomiose tem cura?

Os sintomas podem ser controlados com tratamento clínico ou procedimentos conservadores. A histerectomia é o tratamento definitivo, mas não é indicada para todas as pacientes e elimina a possibilidade de gestação.

Adenomiose vira câncer?

A adenomiose é uma condição benigna. Alterações malignas são raras, e sintomas novos ou atípicos devem ser investigados individualmente.

Quem tem adenomiose consegue engravidar naturalmente?

Sim. Muitas mulheres engravidam naturalmente. Em outras, a adenomiose pode contribuir para infertilidade, e a avaliação deve considerar idade, reserva ovariana, tubas, espermograma e doenças associadas.

O DIU hormonal trata adenomiose?

O sistema intrauterino com levonorgestrel pode reduzir sangramento e dor em algumas pacientes. A indicação depende do tamanho e formato da cavidade uterina, sintomas, contraindicações e desejo reprodutivo.

A ressonância é sempre necessária?

Não. A ultrassonografia transvaginal realizada por profissional experiente costuma ser o primeiro exame. A ressonância pode complementar a investigação em casos selecionados.

Toda mulher com adenomiose e infertilidade precisa fazer FIV?

Não. A conduta depende da idade, reserva ovariana, tempo de infertilidade, tubas, espermograma, extensão da doença e histórico reprodutivo. A FIV é uma possibilidade, não uma regra automática.

Quer entender mais sobre adenomiose, sintomas, diagnóstico, tratamento e infertilidade? Assista ao vídeo completo do Dr. Alexander Kopelman sobre o assunto.

Glossário: termos importantes sobre adenomiose

Endométrio

Camada que reveste a parte interna do útero e se modifica ao longo do ciclo menstrual.

Miométrio

Camada muscular do útero, responsável pelas contrações menstruais e do parto.

Zona juncional

Região de transição entre endométrio e miométrio, avaliada especialmente na ressonância e no ultrassom 3D.

Adenomioma

Forma focal da adenomiose, que pode se apresentar como uma área localizada no miométrio.

Dismenorreia

Termo médico para cólica menstrual.

Fertilização in vitro

Técnica de reprodução assistida em que óvulos são fertilizados em laboratório e os embriões são posteriormente transferidos para o útero.

Referências científicas selecionadas

  1. Harmsen MJ, Van den Bosch T, de Leeuw RA, et al. Consensus on revised definitions of Morphological Uterus Sonographic Assessment features of adenomyosis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2022.
  2. Schrager S, Yogendran L, Marquez CM, Sadowski EA. Adenomyosis: Diagnosis and Management. Am Fam Physician. 2022;105(1):33-38.
  3. Etrusco A, Barra F, Chiantera V, et al. Current Medical Therapy for Adenomyosis: From Bench to Bedside. Drugs. 2023;83:1595-1611.
  4. Yu O, Schulze-Rath R, Grafton J, et al. Adenomyosis incidence, prevalence and treatment: United States population-based study 2006-2015. Am J Obstet Gynecol. 2020;223:94.e1-94.e10.
  5. Dason S, Chan C, Sobel M. Guideline No. 437: Diagnosis and Management of Adenomyosis. J Obstet Gynaecol Can. 2023.

Sobre o autor

O Prof. Dr. Alexander Kopelman é Médico Ginecologista — CRM-SP 103.944 — com RQE 945031 em Endoscopia Ginecológica e RQE 945032 em Reprodução Assistida. É MD, MSc e PhD pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Foi Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia da UNIFESP/EPM entre 2019 e 2024 e atualmente atua como Colaborador Científico e Professor Voluntário, com atuação no Ambulatório de Endometriose. Tem atuação em endometriose profunda, dor pélvica crônica, endometrioma, adenomiose, infertilidade, reprodução humana, preservação da fertilidade, cirurgia ginecológica minimamente invasiva e cirurgia robótica. É Console Surgeon certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci Xi pelo IRCAD América Latina. Atende em São Paulo, na Clínica Evince, e realiza procedimentos cirúrgicos nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

Conteúdo revisado clinicamente pelo Prof. Dr. Alexander Kopelman em 13 de julho de 2026.

Aviso médico: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial ou avaliação individualizada. Cada caso deve ser analisado por profissional habilitado.

Tags:
adenomioseadenomiose e infertilidadediagnóstico da adenomiosesintomas da adenomiosetratamento da adenomiose
Endometriose e SIBO: existe relação?
Endometriose piora com o tempo? Entenda quando a doença pode evoluir

Mais lidas

A endometriose é grave? Tire suas dúvidas

Por ser uma condição que afeta milhões de mulheres no mundo todo, muitas se perguntam se a endometriose pode ser considerada uma doença grave. É importante lembrar que a endometriose é caracterizada pelo crescimento…

Não consigo engravidar: quais as possíveis causas?

Após seguidas tentativas sem sucesso, muitas mulheres começam a se perguntar: “não consigo engravidar, e agora?”. Surpreendentemente, as chances de um casal engravidar de maneira natural é de 15 a…

Como lidar com os sintomas da endometriose profunda?

Os sintomas da endometriose causam importante prejuízo à qualidade de vida das mulheres afetadas. Quando a doença avança para formar lesões que caracterizam a endometriose profunda, o impacto negativo tende a ser ainda maior.…

Conteúdo relacionado

Miomectomia: cirurgia para retirar miomas

Artigo explica quando a miomectomia pode ser considerada, quais são as vias cirúrgicas, como é a recuperação e quais cuidados são importantes para quem deseja engravidar após a retirada dos…
Ler artigo

Tratamento dos miomas: tipos, quando operar e como preservar o útero

O tratamento dos miomas depende dos sintomas, da localização dos nódulos, do desejo de gravidez e do impacto na qualidade de vida. Em muitos casos, os miomas podem ser apenas…
Ler artigo

Miomectomia: cirurgia para retirar miomas

Artigo explica quando a miomectomia pode ser considerada, quais são as vias cirúrgicas, como é a recuperação e quais cuidados são importantes para quem deseja engravidar após a retirada dos…
Ler artigo
keyboard_arrow_up