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Endometriose

Endometriose na bexiga: sintomas, diagnóstico e tratamento

Artigo sobre endometriose na bexiga, uma forma rara de endometriose profunda que pode causar dor para urinar durante a menstruação, urgência urinária, hematúria cíclica e sintomas confundidos com infecção urinária. O conteúdo explica quando suspeitar da doença, como é feito o diagnóstico por ultrassom especializado, ressonância magnética e cistoscopia, e quais opções de tratamento podem ser consideradas, incluindo acompanhamento, tratamento hormonal e cirurgia em casos selecionados.

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Endometriose na bexiga: conheça os tratamentos

A endometriose na bexiga é uma forma rara de endometriose profunda que pode causar sintomas urinários cíclicos, especialmente dor para urinar durante a menstruação.

Dor para urinar no período menstrual, principalmente quando os exames de urina são normais, pode levantar suspeita de endometriose na bexiga. Essa forma da doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio infiltra a parede da bexiga, especialmente o músculo detrusor. A confirmação depende de avaliação médica, exames de imagem especializados e, em alguns casos, cistoscopia. A conduta deve ser individualizada, considerando sintomas, extensão da doença, desejo reprodutivo e possíveis focos associados em outros órgãos pélvicos.

A endometriose é uma condição ginecológica crônica e benigna, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Embora possa acometer ovários, tubas, ligamentos pélvicos, intestino e outras regiões, o envolvimento da bexiga é menos frequente. Ainda assim, quando acontece, pode ser bastante desconfortável e confundido com infecção urinária de repetição.

O ponto mais importante é observar o padrão dos sintomas. Quando a dor, a urgência urinária ou o desconforto para urinar aparecem de forma cíclica, principalmente durante a menstruação, a investigação de endometriose vesical deve ser considerada.

Principais pontos

  • A endometriose na bexiga é uma forma rara de endometriose profunda com sintomas urinários frequentemente cíclicos.
  • Dor para urinar durante a menstruação, sobretudo com exame de urina normal, merece investigação específica.
  • O diagnóstico combina avaliação clínica, exames de imagem especializados e cistoscopia em casos selecionados.
  • O tratamento pode envolver acompanhamento, terapia hormonal ou cirurgia, conforme sintomas, extensão e objetivos reprodutivos.
  • O mapeamento deve avaliar toda a pelve, pois a endometriose vesical raramente ocorre de forma isolada.

O que é endometriose na bexiga?

A endometriose na bexiga, também chamada de endometriose vesical, ocorre quando focos de endometriose infiltram a parede da bexiga. Na literatura médica, ela é definida pela presença de glândulas e estroma endometriais no músculo detrusor, que é uma das camadas musculares da bexiga.

Ela faz parte do espectro da endometriose profunda e raramente aparece de forma isolada. Por isso, a avaliação não deve olhar apenas para a bexiga: é importante mapear toda a pelve, incluindo intestino, ovários, região retrocervical, ureteres e outros possíveis focos da doença.

Qual é a frequência da endometriose na bexiga?

A endometriose do trato urinário é considerada rara. Estudos apontam que ela ocorre em aproximadamente 1% a 6% das mulheres com endometriose pélvica. Dentro dos casos de endometriose urinária, a bexiga é o local mais frequentemente acometido, representando cerca de 70% a 85% dos casos.

Esses números ajudam a colocar o problema em perspectiva: a endometriose vesical não é a forma mais comum da doença, mas precisa ser lembrada quando há sintomas urinários cíclicos, especialmente em mulheres com dor pélvica, cólicas intensas, infertilidade ou diagnóstico prévio de endometriose profunda.

Sintomas da endometriose na bexiga

Os sintomas podem variar bastante. Algumas mulheres têm queixas muito claras; outras podem ter sintomas discretos ou confundidos com quadros urinários comuns. O padrão cíclico, relacionado ao ciclo menstrual, é uma pista importante.

Entre os sintomas possíveis estão:

  • dor ou ardor para urinar, principalmente durante a menstruação;
  • urgência urinária;
  • aumento da frequência urinária;
  • dor pélvica ou dor suprapúbica;
  • cólicas menstruais intensas;
  • dor durante a relação sexual;
  • sangue na urina no período menstrual, chamado de hematúria cíclica.

Quando esses sintomas aparecem de forma cíclica, principalmente durante a menstruação, a investigação não deve ficar restrita à hipótese de infecção urinária. A avaliação precisa considerar a possibilidade de endometriose profunda com acometimento do trato urinário.

A hematúria cíclica pode ocorrer, mas sua ausência não exclui o diagnóstico. A literatura mostra que esse sinal aparece em menos da metade das pacientes com endometriose vesical. Por isso, esperar sangue na urina para investigar pode atrasar o diagnóstico.

Por que ela pode ser confundida com infecção urinária?

A endometriose na bexiga pode causar dor para urinar, urgência e aumento da frequência urinária, sintomas que lembram infecção urinária. A diferença é que, em muitos casos, os exames de urina vêm normais e o desconforto aparece de forma repetida durante o período menstrual.

Esse padrão deve ser valorizado. Quando a paciente relata dor urinária cíclica, associada à menstruação, e especialmente quando há histórico de endometriose, dor pélvica ou infertilidade, a investigação precisa ir além da hipótese de infecção urinária.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história clínica. O médico avalia quando os sintomas aparecem, se há relação com a menstruação, se existem cólicas intensas, dor na relação sexual, sintomas intestinais, infertilidade ou exames prévios sugestivos de endometriose.

Depois, o exame físico e os exames de imagem ajudam a confirmar a suspeita e mapear a extensão da doença. A ultrassonografia transvaginal especializada para mapeamento de endometriose profunda pode ser usada como exame inicial, especialmente quando realizada por equipe experiente.

A ressonância magnética é muito importante no planejamento pré-operatório, pois permite avaliar a lesão da bexiga e outros focos de endometriose profunda. Ela também ajuda a estudar a relação da lesão com estruturas próximas, o que é essencial para planejar a conduta com segurança.

Quando a cistoscopia pode ser necessária?

A cistoscopia pode ser indicada em casos selecionados para avaliar a mucosa interna da bexiga, a profundidade da lesão e a proximidade com os óstios ureterais, que são os pontos por onde os ureteres desembocam na bexiga.

Esse detalhe é importante porque o acometimento urinário não deve ser avaliado apenas pela bexiga. Em algumas situações, também é necessário investigar ureteres e rins, já que a endometriose do trato urinário pode levar a alterações silenciosas, como obstrução ureteral e hidronefrose.

Tratamento da endometriose na bexiga

O tratamento deve ser individualizado. A decisão depende da intensidade dos sintomas, do impacto na qualidade de vida, da profundidade da lesão, da presença de outros focos de endometriose, do desejo de engravidar e dos riscos envolvidos.

O tratamento clínico hormonal pode ser considerado em alguns casos, especialmente quando os sintomas são leves ou quando se opta por acompanhamento. No entanto, a literatura aponta que o tratamento medicamentoso costuma oferecer alívio temporário e pode não eliminar a lesão.

Quando há lesão infiltrativa, sintomas importantes ou necessidade de tratar a doença de forma mais completa, a cirurgia pode ser considerada. O objetivo é remover a lesão da bexiga e, quando indicado, tratar também outros focos de endometriose presentes na pelve.

Como é a cirurgia para endometriose na bexiga?

A cirurgia pode ser feita por abordagem minimamente invasiva, como laparoscopia convencional ou cirurgia robótica, dependendo da complexidade do caso, da localização da lesão e da experiência da equipe.

Em lesões infiltrativas, pode ser necessária a retirada da área acometida da bexiga, com abertura controlada e posterior sutura. Em outros casos, técnicas mais conservadoras, como shaving vesical, podem ser consideradas. A escolha entre uma técnica e outra depende da profundidade de invasão, da localização e do planejamento cirúrgico.

A cirurgia não deve tratar a bexiga isoladamente quando existem outros focos ativos de endometriose. O planejamento ideal considera a doença pélvica como um todo, porque endometriose vesical frequentemente coexiste com lesões intestinais, retrocervicais, ovarianas ou ureterais.

Como é o pós-operatório?

Quando há sutura da bexiga, costuma ser necessário manter uma sonda vesical temporariamente para deixar a bexiga vazia e proteger a cicatrização. A duração exata depende da extensão da cirurgia, da avaliação intraoperatória e do protocolo da equipe.

Em alguns casos, exames de controle, como cistograma, podem ser usados antes da retirada da sonda para confirmar a cicatrização adequada. O acompanhamento também pode incluir avaliação dos rins e ureteres, especialmente quando havia suspeita de acometimento urinário associado.

Endometriose na bexiga interfere na fertilidade?

A endometriose vesical, isoladamente, não parece ser a principal causa de infertilidade. O impacto reprodutivo costuma depender mais do conjunto da doença pélvica, como endometriomas, aderências, inflamação, acometimento tubário ou coexistência de outros focos de endometriose profunda.

Por isso, quando a paciente deseja engravidar, o planejamento deve integrar a avaliação da bexiga, a reserva ovariana, a idade, a presença de outros focos de endometriose e a possibilidade de tentativas naturais ou reprodução assistida.

Quando procurar avaliação especializada

Procure avaliação especializada quando houver dor para urinar que aparece principalmente durante a menstruação, exames de urina repetidamente normais apesar dos sintomas, sangue na urina no período menstrual, urgência urinária cíclica, dor pélvica, cólicas intensas, dor na relação sexual, infertilidade ou laudo de imagem sugerindo endometriose na bexiga.

Também é importante buscar avaliação quando já existe diagnóstico de endometriose profunda e surgem sintomas urinários, porque o trato urinário deve ser investigado com atenção. A conduta deve considerar sintomas, exames, extensão da doença, fertilidade e riscos individuais.

Glossário deste artigo

  • Endometriose — doença ginecológica benigna e crônica em que tecido semelhante ao endométrio se desenvolve fora da cavidade uterina.
  • Endometriose vesical — endometriose que acomete a parede da bexiga, especialmente quando infiltra o músculo detrusor.
  • Hematúria cíclica — presença de sangue na urina relacionada ao período menstrual.
  • Cistoscopia — exame que permite visualizar o interior da bexiga com uma câmera fina introduzida pela uretra.
  • Ureter — canal que leva a urina dos rins até a bexiga.
  • Videolaparoscopia — técnica cirúrgica minimamente invasiva realizada por pequenas incisões, com câmera e instrumentos delicados.
  • Cirurgia robótica — modalidade de cirurgia minimamente invasiva em que o cirurgião controla instrumentos robóticos por meio de um console.

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Em resumo

A endometriose na bexiga é uma manifestação pouco frequente da endometriose profunda e pode causar dor para urinar, urgência e outros sintomas relacionados ao ciclo menstrual. O diagnóstico depende da combinação entre história clínica e exames de imagem especializados, com cistoscopia em situações selecionadas. O tratamento deve considerar a intensidade dos sintomas, a profundidade da lesão, os demais focos pélvicos e o desejo reprodutivo. Nem todos os casos exigem cirurgia.

Perguntas frequentes

Dor para urinar na menstruação pode ser endometriose na bexiga?

Sim, pode. Quando a dor para urinar aparece de forma cíclica, principalmente durante a menstruação, e os exames de urina são normais, a endometriose na bexiga deve ser considerada. A confirmação depende de avaliação médica e exames específicos.

Endometriose na bexiga é comum?

Não. A endometriose do trato urinário é rara, ocorrendo em aproximadamente 1% a 6% das mulheres com endometriose pélvica. Quando o trato urinário é acometido, a bexiga é o local mais frequente.

Sangue na urina é obrigatório para suspeitar de endometriose vesical?

Não. A hematúria cíclica pode ocorrer, mas aparece em menos da metade das pacientes com endometriose vesical. A ausência de sangue na urina não exclui o diagnóstico.

Qual exame detecta endometriose na bexiga?

A ultrassonografia transvaginal especializada pode ser usada como exame inicial, e a ressonância magnética é muito importante para o mapeamento pré-operatório. A cistoscopia pode ser considerada em casos selecionados para avaliar a parte interna da bexiga e a relação com os ureteres.

O tratamento da endometriose na bexiga é sempre cirúrgico?

Não necessariamente. Mulheres com sintomas leves podem ser acompanhadas ou receber tratamento hormonal em casos selecionados. Quando a lesão é infiltrativa, sintomática ou associada a outros focos importantes, a cirurgia pode ser considerada. A decisão deve ser individualizada.

A cirurgia para endometriose na bexiga precisa de sonda?

Quando há abertura e sutura da bexiga, é comum manter uma sonda vesical temporariamente para proteger a cicatrização. O tempo de uso depende da extensão da cirurgia e da avaliação da equipe responsável.

Referências e leituras complementares

  • Fleischer K, Bachi A, Kam J, et al. Bladder Endometriosis: What Do We Know and What Is Left to Find Out? A Narrative Review. Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gynaecology. 2024;97:102512. doi: 10.1016/j.bpobgyn.2024.102512.
  • Leone Roberti Maggiore U, Ferrero S, Candiani M, et al. Bladder Endometriosis: A Systematic Review of Pathogenesis, Diagnosis, Treatment, Impact on Fertility, and Risk of Malignant Transformation. European Urology. 2017;71(5):790-807. doi: 10.1016/j.eururo.2016.12.015.
  • Shenoy-Bhangle AS, Pires Franco I, Ray LJ, et al. Imaging of Urinary Bladder and Ureteral Endometriosis With Emphasis on Diagnosis and Technique. Academic Radiology. 2024;31(9):3729-3745.
  • Youssef Y, Neblett MF, Cope AG, et al. Surgical Management of Endometriosis Involving the Bladder and Ureter. Urology. 2024.
  • Soares M, Luyckx M, Maillard C, et al. Outcomes After Laparoscopic Excision of Bladder Endometriosis Using CO2 Laser: A Review of 207 Cases in a Single Center. Journal of Minimally Invasive Gynecology. 2023.

Quer entender mais sobre endometriose na bexiga? Assista ao vídeo completo do Dr. Alexander Kopelman sobre o assunto.

Sobre o autor

O Prof. Dr. Alexander Kopelman é Médico Ginecologista — CRM-SP 103.944 — com RQE 945031 em Endoscopia Ginecológica e RQE 945032 em Reprodução Assistida. É MD, MSc e PhD pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Foi Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia da UNIFESP/EPM entre 2019 e 2024 e atualmente atua como Colaborador Científico e Professor Voluntário, com atuação no Ambulatório de Endometriose. Tem atuação em endometriose profunda, dor pélvica crônica, endometrioma, adenomiose, infertilidade, reprodução humana, preservação da fertilidade, cirurgia ginecológica minimamente invasiva e cirurgia robótica. É Console Surgeon certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci Xi pelo IRCAD América Latina. Atende em São Paulo, na Clínica Evince, e realiza procedimentos cirúrgicos nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

Publicado originalmente em 2 de junho de 2023. Atualizado em 22 de junho de 2026.

Conteúdo revisado clinicamente pelo Prof. Dr. Alexander Kopelman em 2026-06-22.

Aviso médico: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial ou avaliação individualizada. Cada caso deve ser analisado por profissional habilitado.

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