Artigo educativo sobre histerectomia, explicando quando a cirurgia pode ser indicada, quais são as vias cirúrgicas, diferenças entre total e subtotal, preservação dos ovários, vida sexual e cuidados pós-operatórios.
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Artigo educativo sobre histerectomia, explicando quando a cirurgia pode ser indicada, quais são as vias cirúrgicas, diferenças entre total e subtotal, preservação dos ovários, vida sexual e cuidados pós-operatórios.
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A histerectomia é a cirurgia para retirar o útero e pode ser indicada em situações específicas, como sangramento uterino importante, miomas, adenomiose, dor pélvica ou endometriose em contexto selecionado.
Histerectomia não deve ser indicada apenas porque a mulher não deseja mais engravidar. A cirurgia precisa ter uma justificativa médica clara, considerar sintomas, impacto na qualidade de vida, alternativas de tratamento, desejo reprodutivo, idade, ovários e riscos individuais.
A decisão de retirar o útero costuma gerar dúvidas importantes. Muitas mulheres querem saber quando a cirurgia é realmente necessária, se os ovários precisam ser retirados, como fica a vida sexual, qual via cirúrgica é mais adequada e quanto tempo leva a recuperação.
Embora a histerectomia seja uma cirurgia ginecológica frequente, ela não deve ser tratada como uma escolha automática. O procedimento precisa fazer sentido para a doença, para os sintomas e para o momento de vida da paciente.
Esse resumo ajuda a organizar a leitura, mas não substitui avaliação médica. A indicação de histerectomia depende da combinação entre sintomas, exames, histórico, anatomia pélvica e objetivos da paciente.
Histerectomia é a cirurgia de retirada do útero. Dependendo do caso, o colo do útero pode ser retirado junto ou preservado. Os ovários também podem ser mantidos ou removidos, mas isso é uma decisão separada da retirada do útero.
O útero participa da menstruação e da gestação. Por isso, depois da histerectomia, a mulher não menstrua mais e não pode engravidar. Ainda assim, a cirurgia não deve ser indicada apenas pela ausência de desejo reprodutivo.
A histerectomia pode ser considerada quando há uma doença ginecológica com sintomas relevantes e quando tratamentos mais conservadores não foram suficientes, não são adequados ou não fazem sentido para o caso.
Entre as situações em que a histerectomia pode entrar na discussão estão:
Esses critérios não funcionam como uma lista automática de indicação. Eles ajudam a organizar a conversa clínica, mas a decisão depende dos exames, da intensidade dos sintomas, das alternativas disponíveis e da avaliação individual.
Não. A ausência de desejo reprodutivo, sozinha, não justifica a histerectomia. A cirurgia deve oferecer um benefício clínico claro para a paciente, como controle de sangramento importante, melhora de dor ou tratamento de uma doença que não respondeu bem a outras abordagens.
Essa distinção é importante porque a histerectomia é uma cirurgia de médio ou grande porte, dependendo da via escolhida e da complexidade da doença. Por isso, sempre que houver alternativas seguras e coerentes, elas devem ser discutidas antes da decisão cirúrgica.
Miomas são tumores benignos do útero e podem causar sangramento aumentado, cólicas, sensação de peso pélvico, aumento do volume abdominal ou sintomas sobre bexiga e intestino.
Quando os miomas são assintomáticos, muitas vezes podem ser apenas acompanhados. A histerectomia pode ser considerada em mulheres sem desejo de gravidez futura quando os miomas causam sintomas importantes e outras opções não são adequadas ou não foram suficientes.
A adenomiose é uma doença em que tecido semelhante ao endométrio infiltra o músculo do útero. Pode causar cólicas intensas, sangramento aumentado, dor pélvica e piora importante da qualidade de vida.
Em algumas mulheres, o tratamento clínico pode ajudar no controle dos sintomas. Em outras, especialmente quando não há desejo reprodutivo e os sintomas persistem, a histerectomia pode ser considerada como parte do tratamento.
A endometriose geralmente acontece fora do útero. Por isso, retirar o útero isoladamente não trata todos os focos da doença. Quando há endometriose profunda, endometrioma ou lesões intestinais, urinárias ou retrocervicais, esses focos precisam ser avaliados separadamente.
Em casos selecionados, a histerectomia pode ser discutida quando há doença grave, ausência de desejo gestacional, adenomiose associada ou necessidade de controle de sangramento e dor relacionados ao útero.
Quando a indicação envolve endometriose, a escolha da via cirúrgica também deve considerar a necessidade de visualizar a pelve e tratar outros focos no mesmo procedimento.
A histerectomia pode ser realizada por diferentes vias. A escolha depende da doença, do tamanho do útero, da presença de aderências, da suspeita de endometriose, da anatomia da paciente, da experiência da equipe e da segurança do procedimento.
A histerectomia abdominal é feita por uma incisão no abdome, semelhante a uma cesariana em muitos casos. Pode ser necessária quando o útero está muito aumentado, quando há dificuldade técnica importante ou quando a abordagem minimamente invasiva não é a opção mais segura.
Na histerectomia vaginal, o útero é retirado pela vagina. Quando é tecnicamente possível e apropriada, pode permitir recuperação mais rápida em comparação com a via abdominal.
Por outro lado, essa via pode ter limitações quando há suspeita de endometriose pélvica, aderências importantes ou necessidade de avaliar e tratar focos na pelve.
A histerectomia laparoscópica é feita por pequenos orifícios no abdome, com câmera e instrumentos delicados. Em muitos casos, pode favorecer menor dor, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades em comparação com a cirurgia aberta.
Quando há endometriose, a laparoscopia também permite avaliar a pelve e tratar focos associados, quando indicado.
A histerectomia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva realizada com plataforma robótica. Pode ser útil em casos complexos, com anatomia difícil, aderências ou endometriose, desde que haja indicação e equipe treinada.
A robótica não deve ser apresentada como obrigatória para todos os casos. A escolha deve considerar complexidade, segurança, disponibilidade, custos e experiência da equipe.
Essa comparação é educativa. A melhor via cirúrgica não é definida apenas por preferência: depende da anatomia, da doença, dos riscos, da experiência da equipe e da conversa individualizada com a paciente.
Na histerectomia total, o útero e o colo do útero são retirados. Isso exige abertura e fechamento do fundo vaginal durante a cirurgia.
Na histerectomia subtotal, também chamada de histerectomia parcial, o corpo do útero é retirado, mas o colo do útero é preservado. Essa escolha pode depender da anatomia, da doença associada, da presença de aderências, da relação com a bexiga e da avaliação cirúrgica.
Quando existe endometriose infiltrando a região do colo, por exemplo, pode ser necessário considerar a retirada do colo. Em outros casos, aderências entre colo e bexiga podem influenciar a decisão. Por isso, essa escolha não deve ser tratada como igual para todas as pacientes.
A histerectomia radical é um procedimento mais amplo, em que são retirados o útero, o colo do útero, parte dos tecidos que o sustentam e a porção superior da vagina. Em geral também são avaliados os linfonodos da região.
A indicação é diferente da que motiva as cirurgias descritas até aqui: a histerectomia radical costuma ser considerada em situações oncológicas, e não em doenças benignas como miomas, adenomiose ou endometriose. Por isso a conduta, o preparo e o acompanhamento seguem protocolos próprios, definidos caso a caso pela equipe responsável.
Nem sempre. Na maioria das histerectomias por doenças benignas, os ovários podem ser preservados, especialmente quando não há doença ovariana ou outra indicação específica para removê-los.
Quando os ovários são mantidos, eles continuam produzindo hormônios até a menopausa natural na maior parte das mulheres. Por isso, a histerectomia com preservação ovariana não costuma causar menopausa imediata.
Quando os dois ovários são retirados, ocorre menopausa cirúrgica. Nessa situação, pode ser necessário discutir terapia hormonal, considerando idade, sintomas, riscos, benefícios e história clínica.
Quando a retirada envolve o ovário e a trompa do mesmo lado, o procedimento é chamado de anexectomia. Se for feita dos dois lados, anexectomia bilateral. São nomes que costumam aparecer no relatório cirúrgico e descrevem o que foi retirado, não a via de acesso nem a extensão da cirurgia no útero.
A histerectomia não costuma prejudicar a vida sexual quando é bem indicada e quando a recuperação ocorre adequadamente. Em algumas mulheres, especialmente quando havia dor na relação por endometriose, adenomiose ou dor pélvica, a melhora dos sintomas pode favorecer a vida sexual.
Apesar disso, a resposta é individual. Dor, medo, cicatrização, alterações hormonais, retirada ou preservação dos ovários e fatores emocionais também podem influenciar a retomada da atividade sexual.
Por isso, o retorno às relações sexuais deve ser liberado pelo médico após avaliação da cicatrização e da recuperação da paciente. O prazo pode variar de acordo com a via cirúrgica utilizada e com a evolução de cada caso.
Não. Depois que o útero é retirado, as estruturas vizinhas ocupam naturalmente o espaço na pelve. Não fica um “buraco” dentro do corpo.
Essa é uma dúvida comum e compreensível. A pelve é uma região dinâmica, com intestino, bexiga, vasos, ligamentos e outros tecidos que se acomodam após a cirurgia.
Os cuidados pós-operatórios variam conforme a via cirúrgica, a complexidade do caso e a recuperação individual. Ainda assim, alguns princípios costumam ser importantes.
Esses cuidados não substituem as orientações individualizadas da equipe cirúrgica. O pós-operatório deve ser adaptado ao tipo de histerectomia, à via utilizada, à cicatrização e às condições clínicas da paciente.
O tempo de recuperação varia. No material base, o retorno para dirigir e atividades leves aparece em torno de 10 dias em alguns casos, o afastamento do trabalho pode ser de pelo menos duas semanas e atividade física ou sexual pode ser liberada por volta de 45 dias, conforme cicatrização e avaliação médica.
Esses prazos devem ser lidos como referências gerais, não como regra fixa. A recuperação depende da via cirúrgica, do tipo de trabalho, da presença de dor, do uso de medicações, de complicações e da avaliação no pós-operatório.
Procure avaliação especializada quando houver sintomas ginecológicos que afetam a qualidade de vida ou quando houver dúvida sobre a necessidade de retirar o útero.
Esses sinais indicam que vale organizar uma avaliação individualizada. A decisão sobre histerectomia deve integrar sintomas, exames, desejo reprodutivo, idade, riscos cirúrgicos e alternativas possíveis.
Se você se identificou com algum desses sinais, uma avaliação individualizada ajuda a esclarecer se a histerectomia é necessária no seu caso ou se existem alternativas. A consulta inclui revisão dos exames já realizados, análise dos sintomas e discussão das opções de tratamento.
Histerectomia é a cirurgia para retirar o útero. Ela pode ser total, quando o colo do útero também é retirado, ou subtotal, quando o colo é preservado. A retirada dos ovários é uma decisão separada.
A histerectomia não causa menopausa imediata quando os ovários são preservados. Se os dois ovários forem retirados, ocorre menopausa cirúrgica, e pode ser necessário discutir terapia hormonal conforme idade, sintomas e riscos individuais.
Não. A ausência de desejo reprodutivo, isoladamente, não justifica a histerectomia. A cirurgia precisa ter indicação médica clara, como sangramento importante, dor pélvica, miomas, adenomiose ou endometriose em contexto selecionado.
Não existe uma via melhor para todas as pacientes. A escolha entre abdominal, vaginal, laparoscópica ou robótica depende da doença, anatomia, tamanho do útero, aderências, suspeita de endometriose, riscos e experiência da equipe.
A histerectomia não costuma prejudicar a vida sexual quando bem indicada e com recuperação adequada. Em mulheres que tinham dor sexual por endometriose, adenomiose ou dor pélvica, pode haver melhora dos sintomas, mas a resposta é individual.
A recuperação varia conforme a via cirúrgica e o caso. Atividades leves podem ser retomadas antes, enquanto exercícios intensos e relação sexual costumam exigir liberação médica após avaliação da cicatrização.
Quer entender mais sobre histerectomia? Assista ao vídeo completo do Dr. Alexander Kopelman sobre o assunto.
Cirurgia para retirada do útero. Pode ser indicada em algumas doenças ginecológicas benignas quando há sintomas importantes e indicação médica clara.
Procedimento em que o corpo do útero e o colo do útero são retirados.
Procedimento em que o corpo do útero é retirado, mas o colo do útero é preservado.
Outro nome para a histerectomia subtotal, em que o corpo do útero é retirado e o colo é preservado.
Retirada cirúrgica de um ou dos dois ovários. Quando os dois ovários são retirados antes da menopausa natural, ocorre menopausa cirúrgica.
Retirada do ovário junto com a trompa do mesmo lado. Quando feita dos dois lados, é chamada de anexectomia bilateral.
Doença em que tecido semelhante ao endométrio infiltra o músculo do útero, podendo causar cólicas intensas e sangramento aumentado.
Tumores benignos do útero que podem causar sangramento aumentado, dor, pressão pélvica ou sintomas compressivos.
Abordagem cirúrgica feita por pequenos acessos, como laparoscopia ou cirurgia robótica, quando indicada e segura para o caso.
O Prof. Dr. Alexander Kopelman é Médico Ginecologista — CRM-SP 103.944 — com RQE 945031 em Endoscopia Ginecológica e RQE 945032 em Reprodução Assistida. É MD, MSc e PhD pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Foi Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia da UNIFESP/EPM entre 2019 e 2024 e atualmente atua como Colaborador Científico e Professor Voluntário, com atuação no Ambulatório de Endometriose. Tem atuação em endometriose profunda, dor pélvica crônica, endometrioma, adenomiose, infertilidade, reprodução humana, preservação da fertilidade, cirurgia ginecológica minimamente invasiva e cirurgia robótica. É Console Surgeon certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci Xi pelo IRCAD América Latina. Atende em São Paulo, na Clínica Evince, e realiza procedimentos cirúrgicos nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
Conteúdo revisado clinicamente pelo Prof. Dr. Alexander Kopelman em 2026-06-24.
Aviso médico: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial ou avaliação individualizada. Cada caso deve ser analisado por profissional habilitado.